
Todas as coisas que conhecemos parecem ter um começo: uma casa começa por seus fundamentos, ou melhor, no sonho-projeto de alguém; uma pessoa tem seu início em duas células que se fundem formando outra com um poder de multiplicação e diferenciação celular incríveis; este blog também está tendo o seu princípio enquanto digito esse texto, e até antes, quando sua idéia surgiu na mente. Até mesmo o mundo e o universo têm suas origens e, quando analisamos a coisa toda, chegamos a uma observação interessante: uma entidade qualquer já existente parece sempre se originar de outra preexistente, de outra forma pode-se afirmar que todo efeito tem uma causa.
Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos do século13, refletindo sobre essa constatação, disse que podemos encontrar aí uma prova racional da existência de Deus. Argumenta ele que, se todo efeito A possui uma causa A1 e, conforme podemos constatar, A1 é efeito de uma causa B que também é efeito de B1, haveríamos de regredir infinitamente nessa trajetória o que, de certa forma, seria incompreensível e, possivelmente, ilógico, pois teríamos de ter uma causa primordial que não foi provocada por nenhuma outra.
Deixe-me exemplificar tomando a ideia da casa, citado no início do texto. A casa de uma pessoa é o efeito “final” de uma série de procedimentos técnico-operacionais que inclui: estruturar o fundamento, levantar os alicerces, fazer a massa, levantar as paredes, prover os meios para condução de energia elétrica, água e esgoto na casa e fazer os acabamentos (pintura, azulejar etc.). Essas atividades são a causa, o motivo da casa existir. No entanto, se pensarmos um pouco mais, perceberemos que todas essas tarefas são resultado do planejamento de pessoas interessadas na construção da casa. Alguém, de alguma forma, tinha em mente o queria fazer e, compartilhando esse projeto com um grupo de pessoas, pode transpor a idéia-projeto para sua execução e concretização. Mas porque esse projeto teve de existir? Chegamos então a necessidade do indivíduo de ter uma casa, um refúgio, que, embora tenha nuances diferentes em cada pessoa, é, em todos os casos, a mola propulsora da elaboração do projeto.
Percebeu? Da casa passamos para a obra, fomos para o projeto e chegamos à necessidade. E podemos continuar de ambos os lados da história: a casa pode se tornar uma das causas de um lar e, na outra ponta podemos nos perguntar de onde se origina essa necessidade. Uma causa torna-se o efeito de outra antes dela da mesma forma que um efeito pode vir a ser a causa de outro posterior a ele. Tal progressão (ou regressão) tenderia ser ad infinitum, por isso, Tomás de Aquino ponderou que deve haver algo que não foi causado por nada e que seja a origem de todas as outras causas. Essa causa não pode ser simplesmente uma força, algo impessoal, por conta da ordem que existe no universo a despeito de todo caos que presumimos haver. Essa causa é Deus, pois somente um ser pessoal, perfeito, criativo, lógico, cognitivo e, sobretudo, relacional, poderia criar seres que assumem essas mesmas características em níveis distintos (e, inferiores) em relação a ele. Deus seria então a causa primordial, Aquele que não depende de nenhum outro pra existir e nem foi criado por nada, aquele que define a si mesmo como o EU SOU (YHWH, em hebraico). Antes de tudo e de todos, ele é.
Em contrapartida, poderíamos assumir as teorias científicas que explicam (ou se esforçam em explicar, ou ainda, em entender) a origem do universo. A mais conhecida de todas seria a do Big Bang afirmando que o universo, em todas as suas dimensões, se originou de um amontoado de partículas diversas, dentre as quais, a de luz, que, em suas colisões, se criavam e se destruíam o tempo todo. Essas partículas teriam origem em forças distintas conforme a abordagem da Teoria das Cordas. Pra encurtar a história, em um dado momento, essa “sopa” de partículas, que estava a uma temperatura absurdamente elevada, teria esfriado permitindo o surgimento de átomos simples (hidrogênio e hélio) dos quais se formaram nuvens de “poeira cósmica”, estrelas, galáxias e, posteriormente, os planetas. O nosso planeta teria surgido milhões de anos depois e, após ter-se esfriado, adquirindo condições ideais, teria permitido o surgimento da vida, por acaso, e, por obra da evolução, os seres primordiais tornaram-se cada vez mais complexos até atingir um ápice com a espécie humana.

E disse Deus...
Bem… não sou daqueles que chamam as teorias científicas de astúcias do demônio (embora eles sejam bem reais); nosso erro está em uma mania estranha: a de aceitar apenas uma única explicação como verdadeira e excluir completamente uma outra. Nesse caso, assumimos que, ou Deus criou o universo, ou o universo surgiu a partir do Big Bang e a vida por obra do acaso e da evolução. Por quê fazemos isso? Por que não podemos buscar uma posição conciliadora dizendo que Deus criou o universo a partir do Big Bang. Isso seria impossível pra Deus? Seria um insulto à ciência ou à humanidade? Afirmar positivamente ambas as coisas é estupidez. Limitaríamos o poder e a sabedoria de Deus que organizou todas as leis físicas, matemáticas, químicas e biológicas do universo? Quanto à ciência, se admitirmos, por exemplo, que um computador foi criado por um ser pessoal e não por obra do acaso, ofendemos o computador ou ao conhecimento que deu base à sua construção? Essas seriam boas piadas se não causassem tanta confusão…
Ainda não conhecemos a força libertadora e o alívio em admitir a existência de Deus. E, partindo dessa confissão, experimentar um relacionamento pessoal com ele. Não sabemos o que estamos perdendo… Mas tudo, exceto Deus, há de ter um começo, inclusive, se você estiver pronto, a experiência de um relacionamento vivo e intenso com Ele. E para esse relacionamento precisamos de algo mais que a razão humana, precisamos de algo sobre-humano que nos ajude a conhecer este ser tão supremo, perfeito e complexo que é Deus. Carecemos da sua Palavra, que, dentre suas várias formas, assume duas que são peculiares: a Palavra Escrita e a Palavra Viva, Personificada. À primeira, damos o nome de Bíblia Sagrada ou Escrituras Sagradas; à segunda, conhecemos pelo nome de Jesus, o Cristo. As duas, de uma forma única e inigualável, nos permitem conhecer esse Deus em seu caráter e essência e, ainda, o seu sonho-projeto para a humanidade. Espero que você tenha coragem o suficiente para experimentá-las… Um novo começo lhe aguarda. Que Deus lhe abençoe!